O susto esperado

Tive uma tarde super ligth hoje. Primeiro, um bate-papo com o velejador francês Olivier de Kersauson. Ele veio à Fortaleza estudar a terrinha e volta daqui a dois meses a bordo do “Geronimo” - o maior trimarã do mundo, de 34 metros. Fortaleza é apenas um dos destinos de mais uma longa viagem conduzida por Olivier, com previsão de se estender até fevereiro de 2008. Em mais de 40 anos de dedicação ao mar, ele já bateu uma série de recordes. O primeiro deles em 1989, quando deu a volta ao mundo em 125 dias, 19 horas e 32 minutos, a bordo de um trimarã menor, de 23 metros.

Depois da conversa com Olivier, no Pirata Bar, segui para um debate sobre o Carnaval 2008 de Fortaleza. Discussões sobre possíveis mudanças e inovações para a festa do ano que vem. Representantes da Prefeitura, de agremiações carnavalescas, músicos, historiadores, entre outros interessados, pensando em estratégias para manter os fortalezenses na Capital durante os quatro dias de Carnaval. Este ano, 40% da população viajou nesse período. E verdade seja dita, não perderam muito. E digo porque estive na Domingos Olímpio, só pra observar!

O certo é que depois de uma tarde conversando sobre navegação e Carnaval, duas coisas encantadoras, apesar do meu medo de encarar o mar, eu tinha esquecido completamente da votação no Senado. E tomei uma baita susto quando cheguei na redação. É que me dá uma sensação de impotência saber que Renan Calheiros foi absolvido. Porque mesmo após descobertos tantos podres, não é ele o mais corrupto, e sim os 40 senadores que votaram contra sua cassação e, principalmente, os seis responsáveis pelos votos de abstenção.

Como disse o líder do PSDB, Arthur Virgílio: “Quer dizer, o sujeito não sabe, não tem opinião formada depois de tudo que leu, que ouviu e de tudo que falaram? É lamentável. É um voto duplamente covarde. Escudado no voto secreto e na abstenção. São pessoas que acanalharam seus votos numa covardia dupla”.

One Response to “O susto esperado”

  1. É Criacuervos, baralho !! Says:

    Desculpa vir me meter em papo de antropólogo - coisa q eu não sou; sou sociólogo medíocre - mas Fortaleza é o verdadeiro túmulo do SAMBA - sempre foi e sempre será!!

    Esta cidade sempre teve a tradição histórica de conter as empolgações da ralé. O tal “NOSSO MARACATU” é um velório, com todo respeito, não vê quem não quer; e a graça dele ser é essa, ele se impõe como “velório” de um defunto que morre todo ano. Há q se explorar isso !!

    Carnaval de rua era considerado coisa de preto e macumbeiro e, me parece, a intolerânica aqui foi maior que em outros estados de colonização francamente portuguesa.

    Não será a iniciativa torpe e de “última hora” de uma prefeiturazinha non-sense e amadora que vai dar conta de reverter um processo cultural que se impõe há décadas…

    Talvez se a cidade procurasse outra coisa pra oferecer que não uma cópia chinfrim do Rio ou do Recife, a “prefeiturazinha” conseguisse mostrar trabalho !!

Leave a Reply