Clássico sem rei
Domingo, Setembro 9th, 2007Recebi a missão hoje de acompanhar a passagem dos alvinegros e tricolores, antes do tal “Clássico-Rei”, pelos terminais da Parangaba e da Lagoa. Campo de batalha. Por mais calmo que pareça estar, você tem a sensação de que a qualquer momento uma confusão pode começar.
Os policiais, ao mesmo tempo em que previnem o “corpo a corpo” da torcida, colaboram com a tensão. Do nada, você vê torcedor apanhando (e não é tapinha de leve não), seja porque tentou furar a fila ou entrar no ônibus pela janela.
Vi mais de cem torcedores sendo revistados por policiais. Uma situação constrangedora. Na primeira, nada foi encontrado com eles. Talvez até tivessem segundas intenções, não sei, assim como os policiais também não sabem.
Além disso, quando os policiais iniciam “os trabalhos” não fazem perguntas e nem querem explicações. Se você estava passando naquele momento para ir a padaria, vacilou. Acaba sendo taxado como “torcedor vândalo” também.
Esse, talvez, seja o principal problema dessa rixa entre torcedores. Eles são os motivadores dos conflitos, mas não os únicos atingidos. Nos terminais, por exemplo, enquanto eles se divertem - xingando uns aos outros, lotando os ônibus (sem o menor senso), muitas vezes jogando pedras nos “rivais” - o pai que volta do trabalho ou a mãe que leva os filhos para o shopping é que sofre as consequências.
É uma pena. Eu, particularmente, gosto muito de futebol. Não sou torcedora de um time, mas dos bons lances, dos lindos dribles, dos gols de classe. Até poderia frequentar os estádios, mas não vou. Talvez por medo, sim, dos torcedores, dos policiais, do clima tenso que se cria em torno de um “Clássico-Rei”.